AULAS CARNAVALESCAS 002

 "Parábolas são boas se expressam verdades! parábolas podem cativar a atenção de adestrar facilmente para  uma terrível mentira"


A informação é universal
( ou pelo menos deveria )!

Se você já ouviu falar sobre software livre, um exemplo é o sistema operacional Linux. Porém o Android dominante nos celulares do mundo hoje, tenha origem nesta ideia, muitos grandes contributos  da humanidade doaram suas descobertas a humanidade, ou abrindo mão de sua patente ou conservando a patente e não recebendo nada por elas, como foi do grande pai da aviação para nós, o grande Alberto Santos Dumont.

Quem aprende, descobre, desenvolve se guardar para si o que foi conseguido, tudo isto se perderá com a sua morte. Logo ser professor não é só ( mas também ) a troca do seu trabalho pela informação ( aliás hoje minaram tanto o papel do professor rebaixando-o a mero "mediador" e agora é um simples repetidor e pior, desnecessário, pois algum joguinho, software, estratégia pedagógica pode conseguir melhores resultados que ele.

Professores proclamam que somos insubstituíveis e que todas as profissões só existem porque alguém teve um "professor". Não é verdade, é apenas um sofrível sofisma e não é a melhor defesa de nossa profissão, fazer, ou para alguns: missão. 

Sob este aspecto há duas profissões muito mais essenciais no mundo real, a parteira e o coveiro! ou será que formamos médicos primeiro até que todos pudessem nascer? ou será que coveiros ( infelizmente ) são reconhecidos e bem pagos pelo seu trabalho mórbido e necessário? óbvio que não!

Somos importantes no nosso ugar, nem mais e nem menos! além do mais profissionais de cada profissão formam novos profissionais nas suas respectivas profissões, ou não? médicos a médicos, músicos a músicos, pilotos a pilotos, navegantes a navegantes, soldados a soldados e  assim por diante. Todos são ocasionalmente "professores"!

Na educação entretanto tudo que não dá certo é atribuído indireta e delicadamente "ao professor" E muitos de nós aceitam e não só aceitam  acriticamente mas apoiam estes movimentos.

Rapidamente alguns exemplos não tão antigos:

" O professor não ensina"

"O professor é um mediador"

"O professor é um facilitador"

"O professor deve tornar o seu conteúdo e aula 'agradáveis' ao aluno"!

Simplificadamente estas são algumas, mas não todas, proclamadas, aceitas e repetidas a exaustão pelos próprios professores e para mim erráticas, totalmente, factualmente erráticas!

Contra esta falácia já desafiei vários colegas com as seguinte proposta: "Você se sentiria confortável se já dentro de um avião, soubesse que o piloto e comandante não foram ensinados que descobriram tudo sozinhos e que tiveram "facilitadores" na sua formação?" ou quem sabe um dentista ou um cirurgião para extirpar-lhe um simples apêndice? ou às mulheres um obstetra cuja formação fora apenas "facilitada", "mediada" e cujas aulas forma sempre agradáveis, carnavalescas, enxertadas de poesia, canções e conversas regadas a cafezinho e bolachas?

E atenção todas inovações foram tornadas "verdades" porque algo deu errado, muitos não estavam aprendendo, e nem sempre as razões eram, foram ou são por parte dos professores, que incabestrados assumem todas as culpas sem perceberem o engano!


A primeira vez que entrei em uma sala de aula, substituindo um professor de matemática que se recusara a dar aulas para cinco turmas da escola. por serem duzentos alunos loucos de pedra e turmas formadas por alunos inconsequentes e não afeitos a nenhum ambiente escolar, a culpa não era minha, do antigo professor, da escola, do governador, mas de um conjunto de circunstâncias fora de controle que ninguém sabia como resolvê-las!

Hoje quando não há aprendizado, violência em sala de aula, perturbação e desinteresse, as razões são as mesmas intocadas e maquiadas por projetos, "verdades" ditas por especialistas e elas vão e voltam e só não são piores pelo jeitinho brasileiro de alguns professores e direção de escolas que "em off" dialogam, conversam, blefam e amenizam cada situação em particular. O "sistema" continua na sua descrição irreal  e fantasiosa de cada problema, por incompetência e por se alimentar exatamente deles.


Quando eu ainda estava na Faculdade de Educação da UEMG ( não vou dizer da data senão saberão a minha idade! rs.. rs.. rs... )  a ênfase já era a "pedagogia de projetos" ( em algum momento discorrerei mais exatamente sobre ela e seus prós e contras sendo eu e minha esposa também pedagoga, defensores dela durante um tempo e para certos casos específicos ). 

bem o caso é que volta e meia alguém sugere e facilmente  acatado pelas escolas ( como dizer não a algo que todos dizem em coro "sim"?! ) um projeto tal "para resolver um problema x" de forma totalmente acrítica! No papel tudo é bonito na prática é outra coisa!

Certa vez em um último dia para que uma escola recebesse ( não perdesse ) a quantia muito boa de sete mil reais eu e um colega, na verdade eu escrevi e ele concordou, alinhavamos um projeto de educação musical, dentro do formato como se é feito, enxuto, com as palavras certas, descrição indesculpável e o projeto foi aprovado e dinheiro chegou à escola. Certamente alguém da  prefeitura, da grande e permanente máquina administrativa, geralmente um grupo de burocratas ficou muito feliz pelo projeto  e o aprovou.

Isto é bastante recorrente mais do que se imagina! hoje em uma reunião administrativa ( a informação é pública ) uma ONG receberá 540 mil reais para gerir um projeto oportunista em plena pandemia da PBH, projeto que na sua maior parte será realizado com apoio de terceiros, de funcionários das escolas, das direções escolares, ficando para os concebedores de mais esta mirabolante ideia a "gerência", "os relatórios" e "as apresentações festivas" ( claro se der certo, se der errado certamente sumirão no mato! )

Entretanto este comportamento é reproduzido no "chão de fábrica" da escola e muitas e muitas vezes! professores se sentem culpados quando a sua aula "não é agradável"! são induzidos a "agradar seus alunos e tornar as aulas festivas!

Costumo retrucar com os fatos: se alguém sente prazer na aula de dissecamento de cadáveres no curso para médico legista, esta pessoa não é exatamente normal.  Aulas não têm que ser prazerosas por si mesmo. Nenhum pianista ama os torturantes exercícios para piano exaustivamente feitos por até dizer horas ao dia! Aprendizado  e treinamento são muitas vezes dolorosos! descobrir isso e continuar é maturidade!

A menor escola de matemática do mundo é A Escola Técnica Indiana" ( depois posto o nome exato da instituição ). Todos os bons alunos desta escola são capazes de fazer cálculos complexos quase de cabeça! nenhum deles e todos os demais aprenderam matemática com "joguinhos"!


Durante sete longos anos fui a congressos de educação patrocinados por vários patrocinadores: estado, prefeituras, até partidos políticos de diferentes matizes! Em um deles ( sempre há uma voz mais sóbria ) alguém afirmou em alto e bom tom: "-Vocês acham que em algum país realmente desenvolvido alguém dá trela para 'grandes teóricos da educação' ?" Não! o professor ENSINA e o aluno APRENDE! Não se iludam é assim no capitalismo e no socialismo! só o Brasil quer fazer diferente e 'bonito'!'  

E convenhamos: bonito para nada!

Odeio dinâmicas e parábolas! aquela da cordinha e as pessoas se embolando em todo congresso de educação terminava com aquela coisa patética!

Quando alguém conta uma parábola, não quer lhe fazer exatamente crítico ( excetuando as do mestre Jesus )... deseja apenas trazer-lhe pelo cabresto para que ao final concorde cem por cento com a mensagem que o tal quis lhe convencer desde o início. Tocado pela emoção não ser'acrítico o suficiente para interrogar sobre algo. Por isso todo  coach, todo pregador de auto ajuda ou incentivador, depois de dizer por horas coisas muitas vezes duvidáveis convida a platéia a fechar os olhos, ficar em pé, abraçar as pessoas ao lado, repetir um bordão, etc.

É exatamente por isso que, por exemplo professores de matérias mais exatas se sentem e se mostram incomodados com estas estratégias que claramente não se encaixam no conteúdo que compulsoriamente têm que ensinar a seus alunos.

Nos conteúdos de humanas você pode ser inexato, errante, mentir, enganar e ainda ter uma aula "ótima" desarmando toda e qualquer resistência. Não na biologia, na física, na química, na matemática...

Entretanto mesmo na área das exatas já surgem alguns festivos e carnavalescos resultado da influência dos cursinhos preparatórios para a UFMG e quitais... onde decorar uma fórmula para se safar em um vestibular ou ENEM é mais importante que dominar maduramente qualquer tópico de qualquer conteúdo.

Mas coitados dos professores de exatas, provavelmente se sentem os esquisitos e ultrapassados nesta história.

Neste ano de pandemia não é diferente! a exigência máxima de como "agradar" ao aluno e fazê-los participarem e assistirem as aulas remotas se tornou  palavra de ordem!

Pouco se fala sobre o que ensinar mas mais "como ensinar", sendo que o "ensinar " não tem a real ênfase!

Como combinado, mais um vídeo de alguém dando aula sobre algum assunto! fique atento! em uma das próximas postagens uma em especial das técnicas básicas de como produzir uma vídeo aula com poucos ( ou mais recursos )


Questões relacionadas ao vídeo aula de hoje ( veja-o atentamente depois volte e responda ):

1) O professor utilizou de vários recursos complexos de edições realizados com auxílio de outros software mas basicamente você poderia dar uma aula semelhante somente com o celular, sim ou não e como?



2) Você concorda que a espinha dorsal de uma boa aula seja realmente o texto, que no caso de qualquer produção audiovisual recebe o nome de roteiro?


3) Tecnicamente você tem alguma ideia de como escrever um roteiro simples?


4) Quantas tomadas de câmera são utilizadas neste vídeo ( na verdade ângulo de câmera )? e no vídeo postado na postagem anterior? o que eles têm em comum?







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